sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Como melhorar as chances de obtenção de crédito a Micro, Pequena e Média Empresa (MPME)?

Segundo Serasa, pequenas e médias empresas bateram recorde de CNPJs negativados em 2016. A inadimplência  das operações de crédito dá os primeiros sinais de melhora, mas a situação delas ainda preocupa. O texto de Pedro Ivo Fator aborda de maneira descontraída os impasses sofridos nesse cenário de instabilidade econômica. Aproveitem a leitura!

Bjocas Carinhosas!!!
Janaina

No Brasil existem ativos 19,6 milhões de estabelecimentos. Desse total, 67,45% são micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), as quais respondem por aproximadamente 31,98% do faturamento total das empresas. Este fato demonstra a importância das MPMEs para a economia brasileira, como amplas impulsionadoras do crescimento e do emprego.


A questão da predominância das MPMEs no cenário econômico não ocorre somente no Brasil. Nos Estados Unidos e União Europeia, mais de 95% das empresas são de micro, pequeno e médio portes e empregam entre 60% e 70% pessoas, na maioria dos países.

Olhando para a pequena e média indústria do estado de São Paulo, o mercado de trabalho registrou queda no número de postos de trabalho. O saldo líquido (admissões menos demissões) chegou a 4.435 vagas encerradas no mês de agosto de 2016. Ampliando para os últimos três meses de 2016 (julho, agosto e setembro), verificou-se que o mercado de trabalho da indústria paulista continua eliminando vagas formais, total de 18.816 vagas encerradas.

Pesquisa feita pelo SEBRAE-SP, para 38% dos empreendedores, a razão para solicitar o dinheiro é injetá-lo no capital de giro. Na versão das instituições financeiras, esse é o motivo para 87% dos que as procuram. Mesmo só buscando crédito em último caso, quando o fazem, 52% dos empresários esperam receber dos bancos muitas opções de crédito. Encerrada a conversa, cai para 24% a parcela dos que tiveram a expectativa confirmada. Do total de empreendedores entrevistados, 78% chegam ao banco esperando um atendimento detalhado, e ao final, se reduz para 61% os que dizem ter recebido esse tratamento. Também foi revelado que, em 25% dos casos, a causa da mortalidade das MPME no estado de São Paulo apontou como principal fator a falta de capital.

Analisando pelo lado das Instituições Financeiras, Bancos, Factorings e os Fundos e Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), a liberação de crédito e compra de recebíveis está mais difícil e exigente quanto a informações contábeis, financeiras, jurídicas e fiscais.
Problemas como a assimetria de informação e a insuficiência de garantias têm sido as principais razões para a restrição dos financiamentos para as MPMEs. O pequeno empreendedor tem muita dificuldade para acessar o crédito devido à assimetria de informações entre o que a pequena empresa divulga ao Banco e o que este exige para conseguir avaliar a capacidade de pagamento da empresa solicitante.

Uma saída para as MPMEs está na informação contábil. Estudo conduzido por Anjos et al. (2012) revelou que as empresas do tipo familiar ao exercerem suas atividades em setores ainda não regulamentados podem beneficiar-se da informação contábil para a captação de recursos junto às instituições financeiras. As empresas da amostra da pesquisa que preparavam suas demonstrações contábeis e que as submetiam à auditoria externa tinham acesso ao crédito, com mais facilidade.

Verificar a parte de assimetria de informações também é de grande importância. O que a instituição financeira sabe de sua empresa é realmente o que acontece dentro dela. Informação fornecida de forma incompleta ou pior ainda, de forma incorreta pode, hoje em dia, ser facilmente apontada com o grande cruzamento de dados que as equipes de crédito fazem ao analisar uma empresa. O melhor a fazer é ser o mais transparente possível, mesmo que a situação não se mostre favorável. O adequado é mostrar-se sempre confiável.

Outro ponto que vem sendo bastante percebido pelas empresas é a questão da sintonia de informações entre a empresa e a instituição financeira. Esta é umas das principais razões pela qual um consultor externo, especializado em obtenção de recursos, consegue crédito para a empresa de uma maneira bem mais eficiente: ele sabe o que a instituição financeira solicitará de informações, como a instituição financeira prefere que essa informação seja entregue e quando é o momento certo para entregar tal informação.
Podemos então dizer que o consultor externo está em sintonia com o conteúdo informacional exigido pelas instituições financeiras, tornando todo o processo de análise e aprovação de crédito mais dinâmico. E esse é o ponto que as MPMEs têm que se atentar, fornecer mais informação do que o necessário é desperdiçar tempo, e fornecer menos também, pois vai gerar pendências. No entanto, fornecer corretamente, na medida certa, apressa os processos, não gera questionamentos irrelevantes e custa até mais barato para empresa.

Concluindo, o cenário atual de crise, pelo qual passamos, na maioria dos casos é adverso às empresas de menor porte, logo as MPMEs devem se esforçar para estarem contabilmente preparadas e sintonizadas com as Instituições Financeiras, caso elas venham precisar de sua parceria.

REFERÊNCIAS

ANJOS, L. C. M. dos, MIRANDA, L. C., SILVA, D. J. C. Da, & FREITAS, A. R. F. de. Uso Da Contabilidade Para Obtenção De Financiamento Pelas Micro E Pequenas Empresas: Um Estudo a Partir Da Percepção Dos Gestores. Revista Universo Contábil, (82), 86–104, 2012.

EMPRESOMETRO. Empresas ativas por natureza jurídica. São Paulo, 23 nov. 2016. Disponível em: <http://empresometro.com.br/Site/Estatisticas>. Acesso em: 23 nov. 2016.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP. Boletim mensal do emprego das micro, pequenas e médias indústrias. São Paulo, 26 set. 2016. Disponível em: <http://az545403.vo.msecnd.net/uploads/2016/10/emprego-mpmi_set.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2016.

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Código das melhores práticas de governança corporativa. 5.ed. São Paulo, SP: IBGC, 2015.

Instituto Brasileiro de planejamento e tributação - IBPT. Perfil Empresarial Brasileiro. São Paulo: IBPT, 2013. Disponível em: <http://www.ibpt.com.br/img/uploads/novelty/estudo/1296/EMPRESOMETRO30092013Final2.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2016.

MALLIN, C. A. Corporate governance. 4 ed. Oxford: Oxford University Press, 2013.

SERASA EXPERIAN. Indicador Serasa Experian de Demanda das Empresas por Crédito. São Paulo: Serasa Experian, 2015. Disponível em: <http://noticias.serasaexperian.com.br/indicadores-economicos/demanda-das-empresas-por-credito/>. Acesso em: 11 dez. 2015.

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Panorama das MPEs paulistas. São Paulo: Sebrae, 2016. Disponível em: < https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/SP/Pesquisas/book_pesquisa_sobre_mpes_paulistas_fe_2016.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2016.



Pedro Ivo Fator
Engenheiro de Finanças na Fator Factoring
Mestrando em Controladoria Empresarial pela UPM
Certificação de Especialista em Investimentos Anbima (CEA)
Especialização Adm. de Empresas (CEAG) pela FGV
Engenheiro de Produção pela FEI
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